sexta-feira, 20 de abril de 2012

Espirais

- Hoje minhas idéias são todas de vocês. Eu as entrego sem medo algum, porque sei que vão viver minhas palavras para mim, e torná-las mentiras para que eu possa ter em mim outras que jamais consegui pronunciar. Me deixo ser levada para um novo mundo. Sem personalidade alguma quero enxergar o reflexo dessa menina que não conheço no espelho que a tanto permaneceu borrado. - Pronunciei num tom de euforia que sabia, não sentia dentro de mim, e então parei para fitar os olhos daquela que estava inconscientemente me torturando com seu silêncio profundo.
- Como pode dizer algo assim? - Perguntou ela subitamente e continuou: - E demostrar aquilo que não sente?
- Só estou antecipando as coisas.
- A pior mentira é aquela que contamos para nós mesmas e você deveria saber. Diga a eles o que você quer, diga! - Gritou ferozmente.
Podia sentir as lembranças pesarem cada parte esquecida do meu cérebro e a dor me lançava a uma vontade quase incontrolável de desaparecer, sentindo a voz perder a força.
- Comer e beber seus sonhos como se não houvesse outra felicidade que se compare...
- Ferindo, Rasgando, despedaçando e invalidando cada fragmento da sua memória feito da história que só você pode viver, em vazio, nada. Diga!
- Hoje... A morte vem a mim.


E foi aí então que abri os olhos.


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