domingo, 4 de setembro de 2016

Quando eu era criança tinha absoluta certeza da minha felicidade. Vivia o sonho de que poderia fazer qualquer coisa que quisesse ao alcançar certa idade, e embora isso me irritasse algumas vezes, naquela época o querer e o poder estavam condicionados às regras impostas, e só o que me restava era aproveitar ao máximo a minha infância e tirar boas lições de atos ruins que me recompensavam longos castigos. E foi o que fiz. Participei de praticamente todas as brincadeiras que existiam, tinha trilhões de amigos, e as cicatrizes que um dia foram feridas não me impediam de parar. Era como se eu tivesse a capacidade de mudar o mundo, eu não conseguia esperar até que esse dia chegasse...
E então eu cresci.

Os meus heróis - meus pais - vi se tornarem pessoas de carne e osso, os defeitos características de todos e a perfeição uma complexa invenção jamais existente, que mesmo assim não diminuia o amor que sentia por eles mas me forçava a abrir os olhos. Personagens de filmes, desenhos e seriados que imaginava ser, morriam ou perdiam o sentido com o passar do tempo, me deixando apenas inspirações para o futuro. Quando dei por mim estava cada vez mais parecida comigo, a menina que eu começava a conhecer.   
E as idéias começam a encher minha cabeça.

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