domingo, 4 de setembro de 2016

Quando eu era criança tinha absoluta certeza da minha felicidade. Vivia o sonho de que poderia fazer qualquer coisa que quisesse ao alcançar certa idade, e embora isso me irritasse algumas vezes, naquela época o querer e o poder estavam condicionados às regras impostas, e só o que me restava era aproveitar ao máximo a minha infância e tirar boas lições de atos ruins que me recompensavam longos castigos. E foi o que fiz. Participei de praticamente todas as brincadeiras que existiam, tinha trilhões de amigos, e as cicatrizes que um dia foram feridas não me impediam de parar. Era como se eu tivesse a capacidade de mudar o mundo, eu não conseguia esperar até que esse dia chegasse...
E então eu cresci.

Os meus heróis - meus pais - vi se tornarem pessoas de carne e osso, os defeitos características de todos e a perfeição uma complexa invenção jamais existente, que mesmo assim não diminuia o amor que sentia por eles mas me forçava a abrir os olhos. Personagens de filmes, desenhos e seriados que imaginava ser, morriam ou perdiam o sentido com o passar do tempo, me deixando apenas inspirações para o futuro. Quando dei por mim estava cada vez mais parecida comigo, a menina que eu começava a conhecer.   
E as idéias começam a encher minha cabeça.


"Em geral eu sou meio engraçada, meio porque eu não me esforço para isso. Sem querer, parece que tudo vai dando errado, e todo mundo ri pelo modo como as coisas só pioram quando aparentemente não há mais possibilidade. Mas ultimamente rir tem sido um meio de não surtar de vez e desistir do que ainda resta. Não me entenda mal, não quero dizer que sou a última criatura viva do mundo, ou que fui destinada a viver uma vida trágica. Não mesmo. É que... Você conhece a frase: Quando tudo está muito bem eu desconfio? É bem isso. É só eu desconfiar... Pra acontecer. Tudo bem, eu sou sim exagerada e dramática, mas juro que até antes do meio dessa história você vai entender o por que. Ou achar simplesmente que essa é mais uma história adolescente digna de virar filme e passar todo ano na sessão da tarde, ou achar que essa é uma dessas críticas pesadas a essa época imbecil ou só achar que essa é mais uma história adolescente mesmo."

Um trecho sobre alguma história que criei na tentativa de me descrever usando outro nome.

2013

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Espirais

- Hoje minhas idéias são todas de vocês. Eu as entrego sem medo algum, porque sei que vão viver minhas palavras para mim, e torná-las mentiras para que eu possa ter em mim outras que jamais consegui pronunciar. Me deixo ser levada para um novo mundo. Sem personalidade alguma quero enxergar o reflexo dessa menina que não conheço no espelho que a tanto permaneceu borrado. - Pronunciei num tom de euforia que sabia, não sentia dentro de mim, e então parei para fitar os olhos daquela que estava inconscientemente me torturando com seu silêncio profundo.
- Como pode dizer algo assim? - Perguntou ela subitamente e continuou: - E demostrar aquilo que não sente?
- Só estou antecipando as coisas.
- A pior mentira é aquela que contamos para nós mesmas e você deveria saber. Diga a eles o que você quer, diga! - Gritou ferozmente.
Podia sentir as lembranças pesarem cada parte esquecida do meu cérebro e a dor me lançava a uma vontade quase incontrolável de desaparecer, sentindo a voz perder a força.
- Comer e beber seus sonhos como se não houvesse outra felicidade que se compare...
- Ferindo, Rasgando, despedaçando e invalidando cada fragmento da sua memória feito da história que só você pode viver, em vazio, nada. Diga!
- Hoje... A morte vem a mim.


E foi aí então que abri os olhos.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Amor, eu não te amo!

Amor, ah o sublime amor... E como diria o dicionário online para a definição de sublime "Elevado acima de todos (...) Agradável, encantador, que inspira sentimentos nobres: naquela sublime solidão." Para alguns o amor é a transformação definitiva do seu próprio eu, uma força indestrutível que preenche seu coração, tornando os meros sentimentos anteriores puros exemplos de deslumbramento, a tal corrente invisível que o prende a pessoa amada até o fim dos tempos. Mas para outros o amor é uma fantasia, doença ou uma ilusão criada por algum cineasta maquiavélico, que decidiu compartilhar com o mundo a idéia de que existe O final feliz - mesmo quando um deles morre como é o caso de Jack Dawson em Titanic - na intenção de ganhar muito dinheiro, ou seja o amor é um instrumento do capitalismo.
E afinal qual é a definição certa para o amor? Talvez todas. Porque somos diferentes um do outro, e cada um enxerga o amor do jeito que convém a si mesmo. Porém de uma coisa eu tenho certeza: não há e não haverá no mundo, uma história de amor que não envolva aquela conhecida dor que é capaz de figuramente - ou as vezes literalmente - acabar com o que resta da sua alma. Ou menos melodramaticamente dizendo, te fazer sofrer muito.

E nós continuamos querendo isso para nossas vidas. Porque desde pequenos assimilamos aquelas baboseiras de alma gêmea, pessoa predestinada a ficar com a gente para sempre, metade da laranja, par perfeito, "Na saúde, na doença, até que a morte nos separe." e não desistimos até encontrar uma pessoa para amar e ser amado. Lindo. Teoricamente isso é lindo.
Fulano encontra Fulana e se apaixona perdidamente, acreditando que jamais conseguirá conquistá-la "Ela é muita areia para o meu caminhãozinho". E enquanto ele pensa que ela o despreza como se fosse uma das pedras que ela chuta pelo caminho, Fulano passa a montar um mundo para tentar descobrir o que ela está pensando, todos os dias mais desculpas para o comportamento da menina.

- "Ela não fala comigo porque é tímida" "Não responde minhas mensagens porque está ocupada" "Ela está triste porque me ama secretamente, talvez" "Ela sorriu para aquele cara porque tem um caso com ele" "Ela me odeia" "Nossa história acabou."

E de repente Fulano está completamente obcecado, e quando ele decide esquecê-la Fulana surge do nada e se aproxima dele. Ele esquece completamente de suas promessas e se entrega às possibilidades ao ver que ela está correspondendo, não com a mesma intensidade é claro, mas porque ainda não se apaixonou. E então finalmente, os dois começam a namorar. Fulana é a mulher mais perfeita do mundo. O tempo passa e quanto mais ele a conhece mais a ama, e ela se mantem apenas a se divertir com ele, se mantem apenas como sua namorada nada mais. O amor irracional dele contra o gostar racional dela. Até que tudo parece perder o sentido para Fulana que está sufocada com tanto amor, não era isso que ela queria e então ela vai embora. O que acontece com Fulano? O mundo colorido, com pássaros cantando, fadas brilhando e voando por aí explode na sua frente, e ele ainda sobrevive para viver no mundo preto e branco.
O amor não existiu? Sim, existiu para ele, não para ela.



Tudo o que você não vive, você imagina. O que pode destruir toda uma realidade se você não tiver cuidado.

Eu sei que essa foi uma história de amor platônico, e que você provavelmente continua acreditando no amor sublime, mas aposto que se um dia você não sofrer por alguém vai descobrir que estava apenas gostando dessa pessoa e quase não haverá marcas de que ela passou por sua vida.
Mas eu espero que eu esteja errada...

PS: Se você estiver vivendo a mesma história que Fulano, assista o filme 500 dias com ela. Isso pode fazer você abrir os olhos. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O começo do fim da escola

Enfim, tive a primeira aula do meu último ano na escola. Se dissesse que não tive expectativa nenhuma, estaria mentindo porque tive, da mesma forma que as pessoas que estavam naquela sala. Mas como tudo na vida, vi o meu dia se dividir em dois quadros muito conhecidos:
EXPECTATIVA/ REALIDADE

"Dormirei por horas e acordarei com um humor maravilhoso e acordarei com uma cara ótima!" foi o que pensei antes de dormir. E enquanto me perdia em bilhões de pensamentos percebi que o sono tinha me abandonado, as horas passavam e eu continuava lá rolando pela cama, e não bastando isso quando me olhei no espelho quem estava decorando meu rosto? As espinhas! Mas tudo bem, nunca fui de me importar muito. Coloquei o celular para despertar e depois de pensar sobre a teoria do Big Bang, o significado da vida, Hakuna Matata, nazismo e o cacete a quatro eu dormi... Quando abri os olhos, ouvi as Spice girls cantando e sabia que já era hora de me arrumar.
Humor péssimo, cara péssima e aquelas coisinha que eu não me importava? De repente se mostraram crateras no meu rosto, e eu não sei porque eu achei que seria diferente, mas desconfio que tenha sido por causa da TPM ou ataque de positividade depois de assistir A vida da gente, não sei. Só sei que não estava bem. Me arrumei com a mesma lentidão de sempre, coloquei tudo bonitinho na mochila - mesmo sabendo que não iria usar - e fui para a frente da minha casa esperar a limousine chegar. Não, fui para o ponto pegar meu busu lotado mesmo. Encontrei um amigo, conversei um pouco e o ônibus chegou, pus meus fone de ouvido e me desliguei do mundo, demorou um pouco e minha amiga chegou mas não queria conversar então tudo se resumiu em "Bom dia!" "Bom dia..." "Então, hoje começa o inferno de novo." "Nem lembra..."

Quando chegamos lá, a escola parecia completamente vazia com uns 3 gatos pingados apenas, então com o meu espírito de primeiro-dia-de-aula me sentei num banco e fiquei jogando um jogo idiota no celular esperando a Apocalipse começar ou qualquer coisa do tipo, até que brotaram trilhões de pessoas felizes e saltitantes abraçando umas as outras; participei disso um pouco e voltei para o jogo porque eu sou uma pessoa muito simpática definitivamente. Alguns minutos depois tivemos que entrar na sala, eram duas e eu logo imaginei que as pessoas se dividiriam como no segundo ano A e B, mas me enganei, todo mundo estava no mesmo lugar. E eu percebi que as pessoas que eu não ia com a cara não estavam lá - se você deveria está lá e não esteve, bom, eu não vou com sua cara -, mas também muitos amigos estavam e isso era o que importava. Aquele enfim, foi o momento em que os veteranos falam demais e os novatos só olham com cara de desolados, ou com uma vontade imensa de fazer parte, ou demonstrar a sua total indiferença e antipatia. E eu tinha finalmente recuperado o meu humor maravilhoso, que não durou muito como sempre. Ficamos lá naquela sala, rindo, conversando, conversando e rindo, esperando os professores começarem aquelas dinâmicas, que só servem para você passar vergonha na frente da sala toda, tentar a sorte de conhecer alguém legal e fazer alguma coisa pra que tenham uma impressão boa de você. Aí nos mandaram pra uma outra sala maior. Depois daquele falatório de boas-vindas, tivemos que escolher alguém para fazer duplas, responder um questionário sobre a outra pessoa e apresentá-la à sala. "O ideal é que vocês façam duplas com os novatos ou pessoas que não tem muita afinidade ou que simplesmente gostaria de conhecer. " Ao meu redor as pessoas começaram a se juntar e de repente: "Tainah, escolhe alguém!" olhei para todos os lados e escolhi uma das patricinhas que não parecia ter saído do filme Meninas malvadas e sentei com ela. No começo, a gente mal se falou, o que é normal mas passado alguns minutos até discutindo estávamos como se nos conhecemos antes. Ela tinha um nome normal que se escrevia de um jeito diferente, sotaque engraçado, tinha vindo da puta que pariu, falava pra caramba e era engraçada.

Então todo o mundo se apresentou, e mentalmente foi dizendo com quem se simpatizava, e assim passamos para a dinâmica do barbante, que consistia em escolher alguém para encher o ego e pagar de fofinho, o que foi engraçado. "Eu vou passar o barbante pra uma pessoa que eu achava insuportável, que eu não ia com a cara de jeito nenhum durante basicamente o ano inteiro, mas acabou se tornando a pessoa que mais me fez rir." disse na minha vez, e quem passou o barbante pra mim? A menina com quem fiz dupla, que abusou do sarcasmo ao falar de mim, mas tudo bem.

Fomos para o nada longo intervalo e voltamos.

E aí depois veio mais falatório dos professores... Ex-alunos do terceiro ano do ano passado e mais falatório... Outros professores e mais falatório...

- Blá, blá, blá, blá, terceiro ano, blá blá, vestibular, blá, blá, faculdade blá, blá, mercado de trabalho, blá, blá, não é o fim do mundo blá, blá, blá, e esse ano vai ser chato, blá, blá.

Todo mundo já estava morrendo de tédio, totalmente desanimado com os depoimentos, querendo dormir, comer, ou fazer qualquer outra coisa e finalmente acabou a aula.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Quem é Mariella? Por que Mariella? O que é Mariella? Mariella é de comer?


Essa madrugada me peguei perdida sobre o que faria de diferente nesse ano, como todos os outros em que invento alguma coisa, mas quase sempre desisto, como: Aprender a tocar algum instrumento, entrar num coral, praticar algum esporte, ser uma aluna dedicada, ou simplesmente parar de dormir o dia inteiro. Até que de repente enquanto procurava algumas músicas de Kate Nash, percebi que estava ouvindo uma delas sem parar, querendo a resposta de uma pergunta que nem sabia qual era. Decidi então saber do que essa música falava...
A música contava a história de uma mulher que desejava ser como Mariella, uma menina teimosa e diferente de todas, que vivia no seu próprio mundo.
E por mais que doesse perceber que jamais seria comum, ela era feliz por ser tão ela mesma.
Muitas pessoas a julgavam, não a aceitavam, não a entendiam e não queriam ser amigas dela, mas Mariella sorria.


"Mariella.
Mariella.
Minha linda, pequena menina.
Descole seus lábios e vista um pouco de rosa e pérolas.
Você pode ter seus amigos por perto e eles podem ficar para um chá.
Tente pelo menos se entrosar, faça isso por mim.

Mas Mariella apenas cruzou seus braços e subiu as escadas e foi para seu quarto, e sentou-se em sua cama.
E ela se olhou no espelho e pensou consigo mesma "Se eu quiser brincar, posso brincar comigo, se eu quiser pensar, pensarei em minha cabeça." "

Eu me vi na letra e lembranças vieram a mim.
- Não era normal fingir que as Barbies eram personagens de um filme, mas eu fingia.
- Brincava de lutinha com meu vizinho imitando a android 18 do dragon ball z, porque era divertido.
- Falo mijar, porque o mijo é meu e eu coloco o nome que eu quiser.
- Com 16 anos escrevia sobre minha vida como um diário.
- Não sei andar de salto, mas gosto de vestidos e um dia irei aprender se quiser, e não é por isso que serei menos mulher.
- Assisto desenho e dou risada como uma criança.
- Tenho mal-humor e não sei ser simpática.
- Sou viciada em video-game assim como um menino.

"Na escola, Mariella não tinha muito amigos, é, as meninas, elas todas olharam para ela e a acharam um pouco estranha.
E os menino, não são muito afim de garotas nessa idade.
E os professores, eles pensavam que Mariella estava apenas passando por uma fase.
Mas Mariella apenas sorriu e continuou na estrada, porque ela sabia todos os segredos de seu próprio mundo.


A pergunta era: "Por que você tem que ser igual a todo mundo?" e a resposta era: "Não, eu não tenho.”

Mariella é uma menina. É o título porque me inspirou. Ela é também uma música. E não é de comer.

Eu já sabia exatamente o que queria fazer, e já tinha um nome.